ESTAMOS PARALISADOS!

Governo publica Medida Provisória que cria fundos para compensar Estados das perdas com reforma do ICMS interestadual, mas ainda não há consenso sobre a questão
A Medida Provisória (MP) 683, que cria dois fundos que irão possibilitar a implantação da reforma do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), entre os estados brasileiros, foi publicada ontem no Diário Oficial da União (DOU). O Fundo de Desenvolvimento Regional e Infraestrutura e o Fundo de Auxílio à Convergência das Alíquotas do ICMS têm como objetivo facilitar o comércio interestadual e estimular o investimento produtivo e o desenvolvimento regional.
Estes fundos fazem parte da reforma do ICMS que reduz para 4% em 2017 as alíquotas das operações interestaduais. Mas ainda não há consenso sobre a assinatura do convênio para concluir a reforma.
O secretário da Fazenda do Ceará, Mauro Filho, diz que o Estado não aceita unificação de alíquotas como foi dito na imprensa. Acrescenta que tudo vai depender do tamanho dos fundos. Ele acha que o valor deve ser anunciado ao final da reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), no Rio de Janeiro, na próxima sexta-feira.
O titular da Sefaz-CE explica que, sendo o fundo grande o suficiente para compensar a perda de competitividade que os estados do Norte, Nordeste e Centro Oeste terão, será possível aceitar a redução. Em vez de 12% e 7% ficaria 7% (na ida) e 4% (na vinda). “Isso já diminui o poder de conceder incentivo fiscal”, comenta.
GARANTIAS
Adianta que para ser bom o fundo deveria ter, no mínimo, R$ 6 bilhões/ano para repassar para os estados durante dez anos. Destaca que é fundamental saber o tamanho do fundo, que não haja unificação e que os recursos estejam sempre assegurados para os estados mais pobres. “Que não já seja igual à lei Kandir que pagou no primeiro, segundo e terceiro ano e depois não pagou mais”, argumenta.
O presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças no Ceará (Ibef-CE), Antônio Roque Albuquerque, avalia que é boa a ideia criar um fundo para amparar as distorções que a equalização do imposto (ICMS) irá gerar em determinadas regiões.”No entanto, a fonte de recurso para gerar o respectivo lastro não pode ser baseada exclusivamente através da possível arrecadação de impostos a ser cobrados sobre recursos repatriados, por que não se sabe quanto e nem quando será efetivado, e mesmo acontecendo no primeiro momento, não se manterá, pois trata-se de uma ação pontual”, considera, ressaltando que o projeto de unificação das alíquotas do ICMS proporcionará ao mercado um ambiente favorável para a retomada do crescimento e contribuirá significativamente com o incentivo de novos investimentos. “É tudo que estamos precisando no momento”.
Na opinião do economista Sérgio Melo, os fundos são uma tentativa para resolver as perdas com a equalização das alíquotas interestaduais e para o desenvolvimento regional. “Mas, como de costume, os fundos são mais problemas do que solução e normalmente de difícil operacionalização”. O especialista vê como otimista e audacioso conseguir arrecadar algo entre R$ 100 bilhões a R$ 150 bilhões, a partir de uma estimativa de que existem no exterior U$$ 400 bilhões.
Fonte: Jornal O Povo