ESTAMOS PARALISADOS!

Com aumento do ICMS sobre telefonia no Ceará, em 1º de março, carga tributária será mais de metade da conta
Numa conta de telefone de R$ 100, somente em impostos o consumidor cearense pagará R$ 50,70. Isso porque a carga tributária dos serviços de telefonia no Ceará chegará a 50,7% em 1º de março, quando a nova alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) passará a vigorar. O tributo irá de 25% para 28%, acrescidos de mais dois pontos percentuais que vão para o Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Fecop). Ou seja, o percentual final será de 30%. Hoje, antes do aumento, a carga tributária representa 44,2% da conta de telefone.
Além do Ceará, outros nove estados decidiram elevar o ICMS. Os dados são do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil).
No País, a média de tributos que incide sobre o setor é de 45%, valor pago pelo consumidor. O percentual efetivo aplicado sobre os serviços varia, por estado, de 40,2% a 63% e o Ceará está em terceiro lugar dentre as cargas mais elevadas do País para o setor.
O menor percentual de carga tributária cobrada é de 40,2%. Isso é quase o dobro do segundo colocado no ranking mundial, a Argentina, com 26%, considerando 18 países que concentram 55% da população mundial. “A política tributária deveria ser para incluir mais brasileiros. Estamos indo na contramão do mundo”, avalia Eduardo Levy, presidente-executivo do Sinditelebrasil.
A expectativa da Secretaria da Fazenda (Sefaz) é de ter um incremento de mais de R$ 80 milhões na arrecadação do Estado com as mudanças nas alíquotas de ICMS de cerca de 20 itens, conforme O POVO publicou em novembro do ano passado, quando a mudança foi anunciada. A expectativa de arrecadação com telefonia não foi informada.
Entretanto, Mauro Filho, titular da Sefaz, diz que não haverá aumento de arrecadação com o setor. “Estamos tentando manter a receita. Com o uso do Whatsapp, Telegram, a receita das teles diminuiu. Independentemente do ICMS, a crise da telefonia já vem acontecendo. Estamos tentando manter receita. Haverá aumento de arrecadação sim, mas com artigos como bebida e cigarro”.
Algumas operadoras começaram a informar seus clientes sobre o aumento da tributação. Entretanto, segundo o Sinditelebrasil, essa não é uma obrigação das empresas, já que não houve alteração de tarifas.
O POVO procurou as operadoras. Claro, TIM e Vivo preferiram se manifestar por meio do Sindicato. Já a Oi frisou que o ICMS é estipulado pelo poder público e repassado aos clientes, sem representar nenhum lucro para a empresa.
Saiba mais
As alíquotas dos impostos são aplicadas “por dentro”, isto é, sobre o valor da receita bruta (com os próprios tributos incluídos fazendo com que tributos sejam aplicados sobre tributos)
O gasto médio do brasileiro com serviços de telefonia móvel é de R$ 17,50, mas só com tributos ele paga a mais R$ 7,53
Em 15 estados, mais da metade dos proprietários de celular têm renda de até um salário mínimo. No Ceará 63% dos proprietários de celular têm essa renda
A arrecadação dos fundos setoriais de telecomunicações em 2015 foi de R$ 9 bilhões. Esse valor, somado a outros impostos, chega a uma cifra anual próxima de R$ 60 bilhões
O setor é responsável por 15% do ICMS arrecadado no País
REONERAÇÃO - Smartphones até 60% mais caros
Associada à alta do dólar e aos aumentos da inflação e da taxa de juros, a reoneração dos smartphones, prevista em Medida Provisória 690/2015, que está em tramitação no Congresso, pode gerar um aumento de até 60% no preço dos aparelhos. Em nota ao O POVO, o Sinditelebrasil afirma que a medida desestimula a aquisição de equipamentos mais modernos, com acesso à internet, por exemplo.
Em 2015, houve a primeira queda no número de linhas de celular da história. Em setembro do ano passado, o Sinditelebrasil registrava 275 milhões de linhas ativas no País, perda de 1% em relação ao fim de 2014.
“Isso se deve ao menor consumo das pessoas, ao crescente uso de aplicativos de mensagens e à queda da tarifa nas chamadas para outras operadoras. Com isso, as pessoas não têm interesse em ter mais de um chip”, explica o presidente-executivo do Sinditelebrasil, Eduardo Levy
E, segundo o Sindicato, as previsões não são boas. Principalmente por aumento na tributação. “Entre elas, está o fim da desoneração para smartphones, aumento de ICMS sobre serviços de telecomunicações, elevação das alíquotas de PIS e Cofins e aumento da Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional que impacta nas contas dos usuários de telecomunicações)”.
Fonte: Jornal O Povo