Em almoço em Davos, ministro Paulo Guedes defende a simplificação tributária para o setor produtivo e a necessidade da reforma da Previdência, lembrando que, caso ela não seja aprovada, lançará mão de um plano B

Enviados especiais Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ontem, em almoço organizado pelo Itaú Unibanco em Davos, que o governo quer simplificar a tributação, mas vai taxar os dividendos e juros sobre capital próprio, segundo contou um participante. Pouco depois, o presidente Jair Bolsonaro destacou em seu discurso no plenário do Fórum Econômico Mundial que o governo vai reduzir a carga tributária sobre as empresas. 

Para o presidente executivo do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, o movimento proposto faz sentido. 

- O que vão fazer é reduzir a carga fiscal sobre a produção e aumentar sobre os ganhos de capital disse Lazari Junior. - E uma substituição de impostos coerente. O setor produtivo poderá produzir mais barato e criar mais emprego. E o tributo fica maior sobre o que de fato não gera riqueza. 

APOIO DE 22 GOVERNADORES 

Na apresentação de seu programa para uma plateia de cerca de cem pessoas, o ministro foi contundente sobre a reforma da Previdência, dizendo que ela será aprovada, com período transitório de capitalização. Embora não tenha entrado em detalhes, Guedes garantiu aos presentes que o presidente Bolsonaro está comprometido com as mudanças no sistema de aposentadoria e que o governo vai se empenhar para conseguir os votos necessários no Congresso Nacional. E repetiu que, se por um desastre a reforma não for aprovada, ele tem um plano B. 

- Foi um discurso liberal e propositivo. Música para os ouvidos dos investidores - comentou o governador de São Paulo, João Dória, que participou do almoço e disse acreditar na aprovação da reforma. - Há total chance de passar no Congresso. De 27 governadores, 22 estão comprometidos com a reforma da Previdência. 

O ministro disse ainda acreditar que a economia começará a crescer mais fortemente após a aprovação das reformas. Também falou em um amplo programa de privatização, "onde o Estado é grande", e na ênfase do governo ao combate à corrupção. 

Estiveram presentes o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Luiz Trabuco, e o presidente do BTG Pactuai, André Esteves. Um dos anfitriões do evento, o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mário Mesquita, afirmou que o ministro da Economia não entrou em detalhes sobre calendário das reformas, mas passou confiança: 

- Foi um discurso forte e amplo, e acho que está certo. O lugar para apresentar políticas mais detalhadas é o Brasil. A ideia aqui é dar o norte.

Fonte: O Valor | Por ASSIS MOREIRA e VIVIAN OSWALD

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